Quinta-feira, 28 de Julho de 2005

- Galegos defendem uma Olivença Portuguesa



Galegos defendem uma Olivença Portuguesa










«Os problemas ibéricos são três, no que respeita a problemas internos: A
remodelação do estado espanhol, reavendo-se Gibraltar. A integração do
estado português, pela reintegração de Albuquerque e Olivença, e a anexação
da Galiza. A Aliança Ibérica, como defesa do comum solo espiritual, invadido
culturalmente pela França, e dividido territorialmente pela política da
Inglaterra.»





Do mesmo modo que do lado de cá do Rio Minho vai despertando a consciência
nacional sobre o problema fronteiriço de Olivença, também do lado de lá se
vão ouvindo algumas vozes em defesa dos direitos portugueses sobre os 750
Km² que a Espanha mantém ilegalmente ocupados.

As duas margens do território Galaico-Português, acidentalmente separadas
pela história, pelo menos até ao momento, começam a estar irmanadas num
ideal comum - a reincorporação de Olivença nas fronteiras do Estado
Português, a que se junta um outro ideal desejado por um crescente número de
galegos: a reintegração da Galiza num Estado Lusófono, processo ansiado, por
uns, numa perspectiva essencialmente cultural e linguística e idealizado,
por outros, na plenitude da sua dimensão política e territorial.

O apoio concedido pelos nacionalistas galegos à retrocessão de Olivença a
Portugal foi claramente expresso no recente «Manifesto Nacionalista
Galaico-Português». Num vasto conjunto de princípios enunciados ao redor da
unidade entre a Galiza e Portugal, afirmava-se no artigo 3º:



«Não somos contra a Espanha ou contra Castela, embora seja a elas que
reivindicamos a nossa identidade e o respeito que lhe devem, incluindo,
sendo caso disso, a devolução de Olivença, conforme estipulam os convénios
internacionais. De resto, achamos necessário que as nações da Península,
dentro do respeito mútuo, superem velhas desconfianças e visem antes a ideia
de um maior conhecimento e de uma colaboração interpeninsular.»



No final do passado mês de Setembro, pondo em paralelo a situação da Galiza
e de Olivença, Ângelo Brea, Secretário das Irmandades da Fala da Galiza e
Portugal, afirmou, no âmbito do II Congresso Internacional da Literatura
Lusófona, realizado em Santiago de Compostela, esta frase lapidar:



«A Galiza é uma imensa Olivença perdida para o Castelhano, quando quer ser
lusófona.» Bieito Seivane Tápia, um dos mais acérrimos defensores do
reintegracionismo galego, ousou defender os direitos portugueses sobre
Olivença, fazendo publicar, a 4 de Maio do ano passado, no periódico de
Ourense, La Región, um artigo redigido na sua língua materna, mas com a
ortografia em Português. Não só desafiou as autoridades castelhanas que
recorrem a todos os métodos para eliminar os opositores ao pretenso estado
unitário espanhol, como expressou a sua determinação na defesa da língua
galaico-portuguesa, alvo da mais bárbara repressão perpetrada pela Junta da
Galiza a soldo das autoridades de Madrid no sentido de sujeitar a escrita do
galego às normas ortográficas castelhanas, com vista a extirpar, no futuro,
a identidade do verdadeiro povo irmão de Além-Minho.

Como preito de homenagem, transcrevemos aqui o seu texto, escrito em Galego
tal qual se fala, mas com a ortografia portuguesa, conforme defendem, hoje,
os reintegracionistas, que têm entre as suas aspirações a sujeição do Galego
ao nosso famigerado Acordo Ortográfico e a inclusão da Galiza na Comunidade
de Estados de Língua Portuguesa, à qual deve pertencer, de pleno direito, o
Território de Olivença:



«É de justiça histórica lembrar algumha vez o caso de Olivença, a notável
vila do Alentejo, hoje inclusa administrativamente na provincia de Badajoz.

Foi conquistada aos mouros por don Afonso Henriques, o primeiro rei de
Portugal; e já no Tratado de Alcanizes, assinado entre Portugal e Espanha no
ano 1297, era reconhecida a soberania portuguesa sobre essa cidade.

Porém, um mal dia de 1801, os exércitos espanhóis açulados polas pressões
francesas atacarom Portugal: foi umha curta guerra conhecida como Guerra das
Laranjas. Apesar de que nela mais umha vez Portugal preservou a sua
integridade territorial, houvo umha excepçom: a entranhável vila alentejana
de Olivença, que passou à posse espanhola.

Até hoje, em contra de todo e qualquer direito internacional e das próprias
(e repetidas) promessas dos governos espanhóis (já formuladas no Congresso
de Viena de 1815), Olivença nom foi devolta a Portugal. E se ainda ali nom
se perdeu a nossa língua e cultura comúns, tem sido mercê dos esforços
generosos de minorias que, agrupadas em associações culturais, tenhem
conseguido pressionar até fazer que nas escolas de Olivença o nosso idioma
se estude, ainda que seja só como segunda língua.

É bom lembrar isto embora seja só para reflectir sobre a pouca coerência dos
sucessivos governos espanhóis que, umha e outra vez, reivindicam os seus
direitos sobre Gibraltar utilizando os mesmos argumentos que preferem
ignorar quando é a cidade de Olivença e os legítimos direitos de Portugal os
que estám em causa.»



O facto de existirem galegos a defender os direitos portugueses sobre
Olivença, deve merecer a reflexão dos portugueses de Aquém-Minho que, nas
últimas décadas, tão frouxos se têm mostrado na defesa dos seus interesses e
na afirmação dos seus direitos. Se a Galiza se assemelha a uma grande
Olivença ainda irredenta para a galaico-portugalidade, a minagem de todas as
nossas estruturas, por interesses e maquiavélicos planos castelhanos, deve
deixar-nos bem alerta para a crescente oliventização de todo o nosso país.
E, então, talvez Olivença tenha sido apenas um primeiro passo de um projecto
mais vasto de uma península onde só há lugar para os fatídicos desígnios dos
pérfidos poderes de Madrid e onde Portugal seja apenas ténue lembrança de
uma «ilógica realidade histórica» que acidentalmente existiu durante mais de
oito séculos.





 



















Olivença é Portuguesa editou às 20:36

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