Domingo, 28 de Maio de 2006

Artigo de Opinião

AS HESITAÇÕES DA C.I.A.

Tudo começou em 2003.

A instituição norte-americana C.I.A. publica, desde há muito, uma espécie de relatório anual, o "The World Factbook", agora na "Internet".

Esse relatório, actualizado anualmente, contém dados de todo o tipo sobre todos os países e territórios do mundo. Como estatística. Não se trata de uma selecção com intuitos políticos, ainda que, como sabemos, nada seja neutro neste mundo. No que toca a disputas territoriais, eram assinaladas mais de 160, incluindo discordâncias fronteiriças entre o México e os próprios Estados Unidos.

O que era novidade era a inclusão de mais uma disputa. De facto, lia-se, no que a Portugal dizia respeito : "Portugal tem periodicamente reafirmado reivindicações sobre os territórios em redor da cidade de Olivença (Espanha)".

Claro que, no que a Espanha se referia, também era assinalada a disputa:"Os habitantes de Gibraltar votaram esmagadoramente em referendo contra o "acordo de total partilha de soberania" discutido entre a Espanha e o Reino Unido para mudar trezentos anos de governo da colónia; Marrocos protesta contra o controle espanhol sobre os enclaves costeiros de Ceuta, Melilla, o Peñon de Velez de la Gomera, as ilhas de Peñon de Alhucemas, as ihas Chafarinas e as águas circundantes; Marrocos rejeita também o traçado unilateral de uma linha média a partir das Canárias em 2002 para estabelecer limites à exploração de recursos marinhos e interdição de refugiados; Marrocos aceitou que os pescadores espanhóis pescassem temporariamente na costa do Sahará Ocidental, depois de um derrame de crude ter sujado bancos de pesca espanhóis;Portugal tem periodicamente reafirmado reivindicações sobre os territórios em redor da cidade de Olivenza (Espanha)".

A disputa de Olivença surgia, pois, naturalmente, entre outras reivindicações ibéricas e mais de uma centena e meia de outras por todo o mundo.

As reacções em Espanha, todavia, excederam o compreensível. Vários jornais noticiaram que a C.I.A. comparava Olivença a Caxemira e a Gaza, e davam a entender que a C.I.A. via movimentos terroristas (?) na Terra das Oliveiras. Chegou-se ao cúmulo de se fazerem entrevistas com autoridades locais, que troçaram da estupidez da C.I.A. e desafiaram os seus agentes a procurar terroristas por aqueles lados. Nenhum, mas nenhum mesmo, jornal ou revista espanhóis publicou o texto original da C.I.A.! E isto apesar de todos terem recebido, repetidas vezes, o mesmo, em inglês, castelhano, português, e catalão ! O mais bizarro sucederia no ano seguinte. A C.I.A. reformulou o seu relatório, e, no que toca a Olivença, 2004 viu surgir a espantosa afirmação de que "alguns grupos portugueses mantêm reivindicações adormecidas sobre os territórios cedidos a Espanha em redor da Cidade de Olivenza". Note-se que este discurso é, quase palavra por palavra, o discurso "oficial" espanhol sobre este contencioso.

 Era possível, todavia, fazer pior. Em 2005, desaparecia do relatório da C.I.A. qualquer referência a Olivença. Portugal, no que toca a disputas/reivindicações internacionais, surgia classificado com um "none" (isto é, "nenhuma"; uma só palavra...talvez para poupar espaço... A bizarria ia mais longe. Um pequeno mapa de Espanha acompanhava o texto sobre este país. Pela primeira vez, Olivença surgia nele. Ao lado de cidades como Córdova, Sevilla, Granada, Madrid (naturalmente), Valladolid, e outras, todas capitais de províncias, não o sendo a cidade em litígio. Duma forma afinal cómica, o Mapa não mostrava cidades como Badajoz, Cáceres, Mérida, Salamanca, ou Pamplona.

Era evidente que "Olivenza" fora incluída, digamos, "à força". O que causa espanto e indignação neste caso é a facilidade com que a C.I.A., tida como a mais poderosa e "sabedora" organização de informações do mundo, antes decerto de se informar, por exemplo, junto do Governo Português, se foi aparentemente deixando "seduzir" por pontos de vista espanhóis.

Felizmente, em 2006, a situação foi recolocada em termos, em geral, correctos. Decerto "alguém" do Estado Português, verificando o erro, se deu ao trabalho de informar a C.I.A. de que Portugal mantém mesmo reservas sobre a soberania espanhola em Olivença.

 Recorde-se que esta questão ganhou nova importância com o Alqueva, dados os problemas ligados à posse das águas no Guadiana.

Assim, desde Maio de 2006, pode-se ler na "CIA Homepage", sobre Portugal, no que toca a disputas internacionais, o seguinte: "Portugal não reconhece a soberania espanhola sobre o território de Olivença com base numa diferença de interpretação do Congresso de Viena de 1815 e do Tratado de Badajoz de 1801." No que a Espanha diz respeito, pode ler-se : "em 2003, os habitantes de Gibraltar votaram esmagadoramente, por referendo, a favor de permanecerem como colónia britânica, e contra uma solução de "partilha total de soberania", exigindo também participação em conversações entre o Reino Unido e a Espanha. A Espanha desaprova os planos do Reino Unido no sentido de dar maior autonomia a Gibraltar; Marrocos contesta o domínio da Espanha sobre os enclaves costeiros de Ceuta, Melilla, e sobre as ilhas Peñon de Velez de la Gomera, Peñon de Alhucemas e Ilhas Chafarinas, e as águas adjacentes; Marrocos funciona como a mais importante base de migração ilegal do Norte de África com d estino a Espanha;Portugal não reconhece a soberania espanhola sobre o território de Olivença com base numa diferença de interpretação do Congresso de Viena de 1815 e do Tratado de Badajoz de 1801."

 A ver vamos se esta "versão", que é razoavelmente correcta, se mantem, e se o Estado Português estará atento a novas "alterações". Na verdade, o conflito (pacífico) fica circunscrito às suas verdadeiras dimensões: um entre outros da Península Ibérica, e entre mais de centena e meia de outros por esse mundo fora, que os interessados deverão resolver quando surjir ocasião. Como deve ser sempre. O que, afinal, já tinha sido escrito em 2003.

Estremoz, 28-Maio-2006
Carlos Eduardo da Cruz Luna

Olivença é Portuguesa editou às 20:21

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1 comentário:
De blopesdarocha a 2 de Julho de 2006 às 23:45



Olivença da desavença
Mais de duzentos anos sem conseguir, por meios diplomáticos, a devolução do território oliventino ocupado por Espanha numa guerra injustificada. mostra o cúmulo da paciência dos portugueses e a cobardia dos seus governantes. . Os governos de Portugal que se sucederam durante todo o tempo de ocupação não eram dotados do sentimento genuinamente português, pois se fossem, Olivença não seria mais uma colônia espanhola. Os governos dos últimos duzentos anos não se conformaram com a diminuição do nosso território: a prova disso é a falta de 100 marcos na fronteira. Com certeza, todos esperavam a libertação do País basco ou da Catalunha para agirem no novo redimensionamento da península que vai acontecer. Mas como pode demorar, vamos reforçar a pressão. A Espanha continua com medo. Não devolve Olivença nem Ceuta nem Mellila por temer que tal decisão seja o inicio da desintegração do Reino. Não pode invadir Gibraltar porque sabe que se o fizer, Portugal fará o mesmo com Olivença. Portanto o jeito que pode levar a uma decisão justa, pode ser uma conferencia entre representantes de Portugal, Espanha e Marrocos para que sejam acertados os limites territoriais. Acertados os limites legais não haverá mais motivação para desavenças que poderiam perturbar a U E que deve ser preservada. Enquanto as partes envolvidas não decidem conferenciar, devemos nós, portugueses patriotas, fechar a fronteira escandalosa que nos separa de Olivença-: fronteira que nos foi imposta pela Espanha-. Então quando os marcos que faltam forem colocados no devido lugar levantaremos a barreira que vai impedir os oliventinos de entrar em Portugal. Se tal protesto for impedido temos que nos conformar, mas certamente, poderemos colocar uma placa na pontes da ajuda, a nova e na velha.indicando quantos quilómetros faltam para chegar á Espanha, Essa placa de sinalização servirá .para lembrar ao mundo e principalmente aos governos peninsulares e o todos que por lá passarem que Olivença é terra portuguesa que foi cenário de ocupação ilegal e genocídio de muitos dos portugueses que a habitavam em 1801 e profanação dos túmulos de seus antepassados. lopesdarocha.blogs.sapo.pt
bernardolopes@superig.com.br

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