Sábado, 4 de Junho de 2005

- Olivença, outrora parte do Alentejo


Olivença, outrora parte
do Alentejo



A
origem de Olivença está ligada à reconquista cristã da região fronteira a
Elvas pelos Templários idos do Reino de Portugal, cerca do ano de 1230.
Nesse território a Ordem criou a comenda de Oliventia, erigindo um templo a
Santa Maria e levantando um castelo. No final do século, pelo Tratado de
Alcanices, assinado em 1297 entre o Rei D. Dinis e Fernando IV de Castela,
Olivença seria formalmente incorporada em Portugal, para sempre, juntamente
com Campo Maior, Ouguela e os territórios de Riba-Côa, em escambo com Aroche
e Aracena.



De imediato, D. Dinis elevou a antiga povoação à categoria de vila,
outorgando-lhe foral em 1298, determinou a reconstrução da fortificação
templária e impulsionou o seu povoamento.



Os seus sucessores reforçaram sucessivamente a posição estratégica de
Olivença, concedendo privilégios e regalias aos moradores e realizando
importantes obras defensivas. Em 1488 D. João II levantou a impressionante
torre de menagem de 40 m de altura.



Em 1509 D. Manuel iniciou a construção de uma soberba ponte fortificada
sobre o Guadiana, a Ponte da Ajuda, com 19 arcos e tabuleiro de 450 metros
de extensão. Do reinado de D. Manuel, que deu foral novo em 1510, datam
também outras notáveis construções como a Igreja da Madalena (por muitos
considerada como o expoente, depois do Mosteiro dos Jerónimos, do
manuelino), a Santa Casa da Misericórdia ou o portal das Casas Consistoriais.



Seguindo-se
ao esplendor do século XVI português, dá-se a união dinástica filipina,
entre 1580 e 1640. A pertença de Olivença a Portugal não é questionada. No
dia 4 de Dezembro de 1640, chegada a notícia da Restauração em Lisboa, a
praça aclama com júbilo D. João IV e é envolvida totalmente na guerra que se
segue (1640/1668), período em que se inicia o levantamento das suas
fortificações abaluartadas, cuja construção se dilataria durante a centúria
seguinte. No decurso do conflito, Olivença foi ocupada em 1657 pelo Duque de
San Germán e, na circunstância, a totalidade da população abandonou a vila e
refugiou-se junto de Elvas, só regressando a suas casas quando foi assinada
a paz (1668) e as tropas castelhanas abandonaram a praça e o concelho.



O século XVIII inicia-se com um novo conflito bélico - a Guerra de Sucessão
de Espanha -, em cujo transcurso foi destruída a Ponte da Ajuda (1709). A
posição de Olivença tornou-se assim especialmente vulnerável.



Em
20 de Janeiro de 1801, Espanha, cínica e manhosamente concertada com a
França Napoleónica, invadiu Portugal em 20 de Maio de 1801, sem qualquer
pretexto ou motivo válido, na torpe e aleivosa «Guerra das Laranjas»,
ocupando grande parte do Alto-Alentejo. Comandadas pelo «Generalíssimo»
Manuel Godoy, favorito da rainha, as tropas espanholas cercam e tomam
Olivença.

Portugal, vencido às exigências de Napoleão e de Carlos IV, entregou a
Espanha, «em qualidade de conquista», a «Praça de Olivença, seu território e
povos desde o Guadiana», assinando em 6 de Junho o «Tratado de Badajoz»,
iníqua conclusão de um latrocínio. «Cedeu-se» Olivença, terra
entranhadamente portuguesa que participara na formação e consolidação do
Reino, no florescimento da cultura nacional, nas glórias e misérias dos
Descobrimentos, na tragédia de Alcácer-Quibir, na Restauração!...



Findas as Guerras Napoleónicas, reuniu-se, com a participação de Portugal e
Espanha, o Congresso de Viena, concluído em 9 de Junho de 1815 com a
assinatura da Acta Final pelos plenipotenciários, entre eles Metternich,
Talleyrand e D. Pedro de Sousa Holstein, futuro Duque de Palmela.



O Congresso retirou, formalmente, qualquer força jurídica a anteriores
tratados que contradissessem a «Nova Carta Europeia». Foi o caso do «Tratado
de Badajoz». E consagrou, solenemente, a ilegitimidade da retenção de
Olivença por Espanha, reconhecendo os direitos de Portugal. Na Acta Final,
apoio jurídico da nova ordem europeia, prescrevia o seu art.º 105.º:



«Les Puissances, reconnaissant la justice des réclamations formées par S. A.
R. le prince régent de Portugal e du Brésil, sur la ville d’Olivenza et les
autres territoires cédés à Espagne par le traité de Badajoz de 1801, et
envisageant la restitution de ces objets, comme une des mesures propres à
assurer entre les deux royaumes de la péninsule, cette bonne harmonie
complète et stable dont la conservation dans toutes les parties de l’Europe
a été le but constant de leurs arrangements, s’engagent formellement à
employer dans les voies de conciliation leurs efforts les plus efficaces,
afin que la rétrocession desdits territoires en faveur du Portugal soi
effectuée ; et les puissances reconnaissent, autant qu’il dépend de chacune
d’elles, que cet arrangement doit avoir lieu au plus tôt».



Espanha assinou o tratado, em 7 de Maio de 1807 e assim reconheceu os
direitos de Portugal. Volvidos 185 anos, o Estado vizinho não deu, porém,
provas do carácter honrado, altivo e nobre que diz ser seu, jamais nos
devolvendo Olivença.



Mas em terras oliventinas, sofridos dois séculos de brutal, persistente e
insidiosa repressão castelhanizante (hoje, falar-se-ia de genocídio e crimes
contra a Humanidade...), tudo o que estrutura e molda uma comunidade, a sua
História, cultura, tradições, língua, permaneceu e permanece pleno de
portugalidade!



Separados do povo a que pertencem, da sua cultura, da sua língua, alienados
da Pátria que é a sua, em austeros e silenciosos duzentos anos, os
oliventinos preservam o espírito português e demonstram, pelo sentir da
maior parte, não renunciar às suas raízes.



 



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<table border="0" cellpadding="12" cellspacing="12" style="border-collapse: collapse" bordercolor="#111111" width="100%" bgcolor="#999999">
<tr>
<td width="100%" bgcolor="#C0C0C0">
<p align="center"><b><font size="6" color="#FFFFCC">Olivença, outrora parte
do Alentejo</font></b></td>
</tr>
<tr>
<td width="100%">
<p align="justify">
<img border="0" src="http://porolivenca.blogs.sapo.pt/arquivo/ol1.JPG" align="right" hspace="6" vspace="2" width="100" height="213">A
origem de Olivença está ligada à reconquista cristã da região fronteira a
Elvas pelos Templários idos do Reino de Portugal, cerca do ano de 1230.
Nesse território a Ordem criou a comenda de Oliventia, erigindo um templo a
Santa Maria e levantando um castelo. No final do século, pelo Tratado de
Alcanices, assinado em 1297 entre o Rei D. Dinis e Fernando IV de Castela,
Olivença seria formalmente incorporada em Portugal, para sempre, juntamente
com Campo Maior, Ouguela e os territórios de Riba-Côa, em escambo com Aroche
e Aracena. <br>
<br>
De imediato, D. Dinis elevou a antiga povoação à categoria de vila,
outorgando-lhe foral em 1298, determinou a reconstrução da fortificação
templária e impulsionou o seu povoamento.<br>
<br>
Os seus sucessores reforçaram sucessivamente a posição estratégica de
Olivença, concedendo privilégios e regalias aos moradores e realizando
importantes obras defensivas. Em 1488 D. João II levantou a impressionante
torre de menagem de 40 m de altura.<br>
<br>
Em 1509 D. Manuel iniciou a construção de uma soberba ponte fortificada
sobre o Guadiana, a Ponte da Ajuda, com 19 arcos e tabuleiro de 450 metros
de extensão. Do reinado de D. Manuel, que deu foral novo em 1510, datam
também outras notáveis construções como a Igreja da Madalena (por muitos
considerada como o expoente, depois do Mosteiro dos Jerónimos, do
manuelino), a Santa Casa da Misericórdia ou o portal das Casas Consistoriais.<br>
<br>
<img border="0" src="http://porolivenca.blogs.sapo.pt/arquivo/ol2.JPG" align="left" hspace="6" vspace="2" width="148" height="99">Seguindo-se
ao esplendor do século XVI português, dá-se a união dinástica filipina,
entre 1580 e 1640. A pertença de Olivença a Portugal não é questionada. No
dia 4 de Dezembro de 1640, chegada a notícia da Restauração em Lisboa, a
praça aclama com júbilo D. João IV e é envolvida totalmente na guerra que se
segue (1640/1668), período em que se inicia o levantamento das suas
fortificações abaluartadas, cuja construção se dilataria durante a centúria
seguinte. No decurso do conflito, Olivença foi ocupada em 1657 pelo Duque de
San Germán e, na circunstância, a totalidade da população abandonou a vila e
refugiou-se junto de Elvas, só regressando a suas casas quando foi assinada
a paz (1668) e as tropas castelhanas abandonaram a praça e o concelho.<br>
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O século XVIII inicia-se com um novo conflito bélico - a Guerra de Sucessão
de Espanha -, em cujo transcurso foi destruída a Ponte da Ajuda (1709). A
posição de Olivença tornou-se assim especialmente vulnerável.<br>
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<img border="0" src="http://porolivenca.blogs.sapo.pt/arquivo/ol3.JPG" align="right" hspace="6" vspace="2" width="101" height="129">Em
20 de Janeiro de 1801, Espanha, cínica e manhosamente concertada com a
França Napoleónica, invadiu Portugal em 20 de Maio de 1801, sem qualquer
pretexto ou motivo válido, na torpe e aleivosa «Guerra das Laranjas»,
ocupando grande parte do Alto-Alentejo. Comandadas pelo «Generalíssimo»
Manuel Godoy, favorito da rainha, as tropas espanholas cercam e tomam
Olivença.<br>
Portugal, vencido às exigências de Napoleão e de Carlos IV, entregou a
Espanha, «em qualidade de conquista», a «Praça de Olivença, seu território e
povos desde o Guadiana», assinando em 6 de Junho o «Tratado de Badajoz»,
iníqua conclusão de um latrocínio. «Cedeu-se» Olivença, terra
entranhadamente portuguesa que participara na formação e consolidação do
Reino, no florescimento da cultura nacional, nas glórias e misérias dos
Descobrimentos, na tragédia de Alcácer-Quibir, na Restauração!...<br>
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Findas as Guerras Napoleónicas, reuniu-se, com a participação de Portugal e
Espanha, o Congresso de Viena, concluído em 9 de Junho de 1815 com a
assinatura da Acta Final pelos plenipotenciários, entre eles Metternich,
Talleyrand e D. Pedro de Sousa Holstein, futuro Duque de Palmela.<br>
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O Congresso retirou, formalmente, qualquer força jurídica a anteriores
tratados que contradissessem a «Nova Carta Europeia». Foi o caso do «Tratado
de Badajoz». E consagrou, solenemente, a ilegitimidade da retenção de
Olivença por Espanha, reconhecendo os direitos de Portugal. Na Acta Final,
apoio jurídico da nova ordem europeia, prescrevia o seu art.º 105.º:<br>
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«Les Puissances, reconnaissant la justice des réclamations formées par S. A.
R. le prince régent de Portugal e du Brésil, sur la ville d’Olivenza et les
autres territoires cédés à Espagne par le traité de Badajoz de 1801, et
envisageant la restitution de ces objets, comme une des mesures propres à
assurer entre les deux royaumes de la péninsule, cette bonne harmonie
complète et stable dont la conservation dans toutes les parties de l’Europe
a été le but constant de leurs arrangements, s’engagent formellement à
employer dans les voies de conciliation leurs efforts les plus efficaces,
afin que la rétrocession desdits territoires en faveur du Portugal soi
effectuée ; et les puissances reconnaissent, autant qu’il dépend de chacune
d’elles, que cet arrangement doit avoir lieu au plus tôt».<br>
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Espanha assinou o tratado, em 7 de Maio de 1807 e assim reconheceu os
direitos de Portugal. Volvidos 185 anos, o Estado vizinho não deu, porém,
provas do carácter honrado, altivo e nobre que diz ser seu, jamais nos
devolvendo Olivença.<br>
<br>
Mas em terras oliventinas, sofridos dois séculos de brutal, persistente e
insidiosa repressão castelhanizante (hoje, falar-se-ia de genocídio e crimes
contra a Humanidade...), tudo o que estrutura e molda uma comunidade, a sua
História, cultura, tradições, língua, permaneceu e permanece pleno de
portugalidade!<br>
<br>
Separados do povo a que pertencem, da sua cultura, da sua língua, alienados
da Pátria que é a sua, em austeros e silenciosos duzentos anos, os
oliventinos preservam o espírito português e demonstram, pelo sentir da
maior parte, não renunciar às suas raízes.<br>
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<p align="right">
<a href="http://www.olivenca.org/historiaDeOlivenca.htm"target="_blank><font color="#CCCCCC"><span style="font-size:14">Grupo dos Amigos de Olivença</span></font></a></td>
</tr>
</table>
Olivença é Portuguesa editou às 18:40

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1 comentário:
De Anónimo a 23 de Junho de 2005 às 19:19
blog de bastante interesse...merece continuação!um abraçojah
(http://f)
(mailto:ah_sanskrit@hotmail.com)

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