Sábado, 13 de Agosto de 2005

- Invasão de Olivença


 Invasão
de Olivença





Foi a 20 de Maio de 1801, relembraremos sempre a ocupação espanhola do Território de Olivença .


O
estado português continua a não reconhecer a soberania espanhola sobre
aquele pedaço de terra alentejana. Por esse facto ainda não foi demarcada a
fronteira entre os dois países ibéricos na região de Olivença. Permanecem,
assim, por colocar cem marcos fronteiriços, desde o nº 801 até ao nº 900. A
Espanha persiste em não cumprir os acordos de retrocessão celebrados
internacionalmente. Portugal, na sua apatia crónica e no seu complexo de
humilhação face ao estrangeiro, mantém a decisão de não reconhecer a
fronteira, mas nada fazendo de concreto para reaver uma parte inalienável do
espaço nacional. Se aos políticos parece preferível optar pelo mais fácil e
adiar interminavelmente a resolução do litígio, aos verdadeiros portugueses
que sentem o país como sua própria carne esta situação afigura-se vergonhosa
e verdadeiramente intolerável, fazendo das gerações presentes indignos
sucessores de um povo que se fez a si próprio pela conquista e pela
afirmação do seu carácter e da sua tenacidade. Como já escrevi em outra
parte, «se Olivença é uma causa perdida, não é Olivença que está perdida
para Portugal, é muito provavelmente Portugal que se perdeu a si próprio,
incapaz de defender os seus interesses e muito especialmente os seus
direitos».



A pequenez mental dos portugueses de hoje, rendidos às dificuldades do
presente e alucinados por ideias estranhas à sua história e à sua verdadeira
identidade, gerou um sentimento de inexorável ruína e de insuperável
abatimento, causando um complexo de inferioridade e de vergonha geral que
impede quase todos, incluindo os presumidos intelectuais e dirigentes
nacionais, de reclamarem por Olivença, tido, pelo vulgo, como território
insignificante; mas que, apesar de tudo, é maior em superfície que 21
estados independentes do mundo.



Custa a crer que nos anos 40, 50 e 60 a generalidade dos grandes vultos das
artes, das letras, da política e das forças armadas bradassem a cheios
pulmões o desejo português de reaver Olivença, mesmo quando Portugal se
assumia como um dos maiores estados territoriais do mundo. E agora, que o
nosso país voltou à sua diminuta dimensão geográfica da Primeira Dinastia,
vemos, estranhamente, tão abandonado o apoio dado à causa da retrocessão
portuguesa por parte das principais figuras da nossa república. Algo se
passa de monstruosamente grave no ânimo e no espírito da gente lusitana,
quando tomamos por amigos os inimigos de sempre; quando julgamos ter diante
de nós fiéis aliados, mas que continuadamente nos ultrajam e nos espezinham;
quando há quem em Portugal tudo faça pela nossa submissão incondicional ao
governo de Espanha, enquanto, paradoxalmente, Galegos, Bascos e Catalães
lutam para se libertar do poder de Madrid.



Como escreveu Paul Valéry, «a história é o produto mais perigoso que a
química do intelecto tem elaborado»; perigosa quando se pretendem manipular
os factos do passado, mas de efeitos igualmente devastadores quando se
procura iludir o tempo e se desejam ocultar os traços indesejáveis da vida
transcorrida dos povos. O problema fronteiriço de Olivença é uma das muitas
histórias que alguns sempre pretenderam apagar, um assunto incómodo que
muitos se esforçam por escamotear. Não foi esta a atitude de figuras como
Hernâni Cidade, Alfredo Pimenta, Virgínia Rau e Jaime Cortesão,
historiadores muito empenhados na questão oliventina. Infelizmente a maioria
dos historiadores de hoje não sabem ou não querem ouvir falar de Olivença. A
cumplicidade que revelam num esforço de ocultar este problema fronteiriço
leva-os a ignorarem Olivença, mesmo para o período anterior a 1801, data em
que o país foi despojado de uma parte inalienável do seu território. É
confrangedor observar como nenhum manual escolar da disciplina de história
se refere a Olivença. E é gravíssimo que a cartografia histórica que se
produz em Portugal coloque o Território de Olivença nas fronteiras
espanholas, mesmo entre 1297 e 1801, enquanto os mapas similares
estrangeiros representam Olivença como território nacional. Neste panorama
de ciclópica ignorância talvez até não se estranhe que em obras de
prestigiadíssimos historiadores não se represente Olivença, ou não se saiba
desenhar todo o amplo território português que se interna em Espanha até
Higuera de Vargas, incluindo, além da cidade propriamente dita, as povoações
de S. Francisco, S. Rafael, S. Domingos de Gusmão, Vila Real, Táliga e S.
Bento da Contenda.



O silêncio do Ministério dos Negócios Estrangeiros, relativamente a este
litígio, faz crer à generalidade dos portugueses que o Problema de Olivença
se submergiu nas brumas do passado, permanecendo irremediavelmente esquecido
no sepulcro dos assuntos mal resolvidos da história. No entanto, o diferendo
persiste e a nossa diplomacia continua a reafirmar, diante da Espanha, os
direitos portugueses sobre Olivença, ainda que de uma forma demasiado
dissimulada e sem incomodar drasticamente a irredutível posição de
ilegalidade do país ocupante. Ainda o ano passado o estado português
afirmou, perante a Espanha, que continua a considerar seu o termo oliventino,
mas apenas o fez para não comprometer os nossos direitos face ao monumental
lapso da Secretaria de Estado do Planeamento Regional, aquando da realização
do projecto de reconstrução da Ponte da Ajuda. Recorde-se que em 1990 o
nosso Primeiro-Ministro assinou um convénio com a Espanha para reconstruir
aquela ponte ligando Elvas a Olivença, como obra transfronteiriça, o que
obrigou o Ministério dos Negócios Estrangeiros a suspender em 1994 o
referido convénio para não pôr em causa os direitos de soberania que
Portugal reclama sobre aquela superfície.



Infelizmente, apesar do Embaixador Pinto Soares, então à frente da Comissão
Internacional de Limites Luso-Espanhola, ter repetido, perante as
autoridades dos país vizinho, que do ponto de vista jurídico Olivença nos
pertence, não se viu da parte do nosso governo uma atitude de firmeza na
reivindicação da retrocessão daquele território alentejano. Assim, 204 anos
passados sobre a ignóbil invasão que nos esbulhou de um pedaço do nosso
território, as reivindicações dos nossos direitos continuam a ser levadas a
efeito quase exclusivamente por cidadãos a título individual. A nossa
diplomacia, ainda que não abdique dos direitos que nos assistem, continua a
não apoiar os portugueses que aspiram à libertação daquela parcela do sul de
Portugal. Prova-o à saciedade a recusa do Ministério dos Negócios
Estrangeiros em participar num debate sobre o assunto que a Faculdade de
Direito de Lisboa organizou no dia 4 de Maio de 2000, uma das
primeiras grandes iniciativas públicas relativamente ao problema de
Olivença.



Dois séculos decorridos sobre o fim da administração portuguesa em
Olivença, ainda persistem inúmeros vestígios da portugalidade das suas
gentes. Apesar da estratégia deliberada das autoridades espanholas para
irradicar os traços da presença portuguesa, continua-se a falar a nossa
língua, quase sempre apenas dentro de portas, já que não se apagaram
inteiramente as formas institucionalizadas de repressão sobre os que,
contumazmente, se mantêm mais próximos do país a que historicamente
pertencem.



O silêncio deliberado a que a nossa comunicação social tem votado o
Território de Olivença continua a permitir que as autoridades de Madrid
persistam em manter esta terra portuguesa como uma coutada intransponível
onde interminavelmente vão perpetrando todas as atrocidades contra a nossa
cultura e contra os que teimam em manter-se fiéis a Portugal. A fachada
aparente de respeito pelos edifícios de Olivença não pode fazer esquecer a
proposta recentemente apresentada por um vereador da Câmara Municipal para
proibir a entrada, naquela cidade, dos membros do Grupo dos Amigos de
Olivença e do Comité Olivença Portuguesa. O intolerável desrespeito por
Portugal é bem patente nas ameaças feitas a vários elementos do Grupo dos
Amigos de Olivença e do Comité Olivença Portuguesa, pondo em risco as suas
vidas; no encerramento de parte do ensino de Língua Portuguesa após a
decisão do nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros de suspender as obras
da Ponte da Ajuda; bem como na intervenção das autoridades de Badajoz junto
da Câmara Municipal de Olivença contra a divulgação de publicações em
português sobre a verdadeira história do roubo de que o nosso país foi
vítima em 1801.



Quando todos poderiam pensar que a Questão de Olivença se tornou insensível
e que apenas uma levíssima lembrança do passado resiste em Olivença, há
graves problemas que causam preocupação e sofrimento a muitos dos seus
habitantes. Calarmos e silenciarmos estes gravíssimos acontecimentos
constitui um verdadeiro crime de que não devemos ser cúmplices. Denunciar
estas situações é imperativo a que não nos podemos eximir.



Mário Rodrigues

Olivença é Portuguesa editou às 10:59

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8 comentários:
De Anónimo a 6 de Setembro de 2005 às 08:44
Castela ficaria mesmo com o seu reizote, seus ducados e condados e quejandos mas todos devendo vassalagem
a um grandecíssimo presidente federal. Castela seria parte da Ibéria e não a Ibéria parte de Castela. E isto tudo para insultar a memória dos Grandes de Espanha. Um grupo étnico subjugou vários outros pela força e mantém formalmente o insulto.
Fulano De Beltrano
</a>
(mailto:pxaauvlioer@yahoo.com)
De Anónimo a 6 de Setembro de 2005 às 08:32
Compromisso: Estados Unidos of Ibéria.Fulano de Beltrano
</a>
(mailto:pxaauvlioer@yahoo.com)
De Anónimo a 3 de Setembro de 2005 às 16:45
Los vascos (y catalanes y gallegos) somos parte de España. el gobierno de Madrid no nos esta ocupando, somos parte de el.
Que asco que pienses igual que esos terroristas.Iñaki
</a>
(mailto:no@no.com)
De Anónimo a 16 de Agosto de 2005 às 23:23
Muitos dos portugueses que tem conhecimento da invasão . do município português de Olivença, pelo exercito espanhol, há 205 anos, acham que o problema poderia ser resolvido por um plebiscito, mas não pode. Depois de duzentos anos de ocupação ilegal, é muito provável que a maioria dos habitantes de Olivença se considerem espanhóis. Porém, a nacionalidade espanhola que escolheram, não dá legalidade á anexação que aconteceu, pelo uso do poderio militar espanhol, sem motivo. Precisamos convencê-los que estão em território português, sem documentação legal. Os impostos gerados em Olivença estão sendo desviados para a Espanha. Esses impostos têm que ser devolvidos a Portugal. A União Européia, não pode permitir que a Espanha use de prepotência arrogante e humilhante para desviar para o seus cofres os impostos gerados em Olivença Portuguesa e em Ceuta que é território marroquino
bernardolops@superig.com.br

Bernardo lopes da Rocha
(http://http;//lopesdarocha)
(mailto:bernardolopes@superig.com.br)
De Anónimo a 16 de Agosto de 2005 às 16:38
Olá Carlos

em primeiro lugar obrigado pelo teu comentário.
Mas já paraste para pensar que hoje passados quase 205 anos Espanha se preocupou em colocar muitos espanhois naturais nas terras de Olivença? No entanto isso não faz com que a terra deixe de ser portuguesa.
Imagina que eu invado tua casa expulso tua familia e vendo a casa a outros... Faz isso com que a casa deixe de ser tua de direito?.POr Olivença
(http://porolivenca.blogs.sapo.pt/)
(mailto:x04658032000@yahoo.com.br)
De Anónimo a 16 de Agosto de 2005 às 12:09
Prezados, nunca estive lá muito virado para a questão de Olivença, mas a leitura em alguns blogs e uma vez por outra as noticias despertaram um pouco a atenção, e por isso coloco duas questões:
1º- Já se perguntou ao povo de Olivença a que lado querem pertencer?
2ª- O que é mais importante o tratado ou a voz dos Olivences?

O comentário de "laranrosa" é muito pertinente e lucido. Já se questionaram porque se deu a independencia a São Tomé e Principe, e não se deu à Madeira nem aos Açores, se em qualquer dessas ilhas não havia ninguem quando foram descobertas, sendo colonizadas por portugueses idos das diferentes parte do nosso território.carlos
</a>
(mailto:carlos.alberto@ntlworld.com)
De Anónimo a 15 de Agosto de 2005 às 00:53
Olá ! Mudei de endereço, porque a quota no Sapo.pt acabou! Para permanecer neste provedor eu teria que mudar o endereço do blog, o que fica totalmente inviável, pois a quota do blog é diminuta e no meu caso só dura em torno de seis meses, tornando-se impraticável a cada seis meses( mais ou menos) mudar o endereço eletrônico! Assim sendo transferi o blog (com um novo “rosto”) para o blogspot.com! Quando eu criei um blog não tinha idéia de seu funcionamento e o fiz apenas por sua simplicidade de uso pela qual o provedor do SAPO.PT é muito boa, mas a quota é deveras pequena, como já tinha criado o blog e também gostei do seu manuseio resolvi ir até o final da quota, para depois sim partir para um blog sem quota. Desculpe o transtorno! Abraços deste blogueiro. Espero contar com a sua leitura e comentário no outro blog, que nada mais é do que a continuação deste! Enquanto isso o seu blog vai muito bem obrigado! Continue, “di” novo: abraço sincero e singelo!Antonio
</a>
(mailto:)
De Anónimo a 14 de Agosto de 2005 às 13:32
MEUS CAROS: AS PALAVRAS SÃO BONITAS MAS SE PASSARMOS AOS ACTOS VAMOS ENTRAR EM GUERRA POR UM "PUEBLO"...?

SE VOCÊS CONHECEM OS ESPANHOIS, NÓS TAMBÉM. ESTÃO ARROGANTES E SÓ SE É ARROGANTE QUANDO TEMOS GOVERNANTES TÃO PEQUENINOS. BASTA VER TODOS OS DIAS O QUE NOS FAZEM E A SUBSERVIENCIA QUE OS NOSSOS GOVERNANTES TÊM PARA COM OS ESPANHOIS.

POR ISSO SERIA MELHOR COMEÇAR POR LIMPAR A CASA CÁ POR DENTRO E SE HOUVESSE UMA CAUSA A SÉRIOS CONTRA ESTA CAMBADA DE CÁ TALVEZ UM DIA VOLTÁSSEMOS A SER ALGUÉM. VEJAM O CASO DE ALQUEVA, DO DOURO...

E VEJAM SE OS ESPANHOSI SE METEM COM OS INGLESES LÁ EM GIBRALTAR...

PORQUE SERÁ...?

SÃO MUITAS PERGUNTAS, HAVERÁ MUITAS CONTRADIÇÕES E MUITOS PERIGOS POR DETRÁS DE ACÇÕES PRÁTICAS.

MAS SERIA BOM COMEÇAR POR ESTA "BAIXEZA" QUE LAVRA POR CÁ HÁ UNS LARGOS ANOS, NÃO ACHAM...?laranrosa
</a>
(mailto:laranrosa@sapo.pt)

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