Terça-feira, 25 de Outubro de 2005

- Dom Quixote de Olivença



DOM QUIXOTE DE OLIVENÇA









As causas que nos movem durante a vida dão sentido à existência e fazem
perdurar na História a imagem de quem por elas lutou. O homem que preenche
as páginas da rubrica "cromos" - dedicada a revelar pessoas carismáticas
cujo percurso merece ser divulgado - desta adição chama-se Carlos Luna,
professor de História e estremocense de alma e coração. Uma das maiores
lutas que trava na vida, desde há anos, é advogar a causa de Olivença,
defendendo, assim, também, a verdade e a história que considera a sua grande
paixão. Um homem de causas, certezas, lutas, e intermináveis conversas.

Nasceu em Lisboa de forma perfeitamente acidental, como fez questão de
referir, tendo vivido sempre em terras do Alentejo, Carlos Luna, professor
de História, 49 anos, passou por Vidigueira, Avis, e estabeleceu-se depois,
com os pais, em Estremoz, distrito de Évora, para não mais sair. Sentados na
esplanada de um dos mais emblemáticos cafés daquela cidade alentejana,
escutámos o discurso aceso e empolgado do professor, próprio e
característico de quem se move por profundas convicções.

Confessou ter duas grandes paixões, a História e a Política, assumindo-se
muito claramente como um homem de esquerda, tendo desde cedo começado a
perceber que muitas coisas à sua volta estavam erradas e, como pessoa de
causas que é, nunca se contentou em ficar apenas a olhar. Carlos Luna teve
uma vida política activa, ainda antes da revolução que, a 25 de Abril de
1974, derrubou o regime ditatorial, vindo posteriormente a saber que estaria
para ser preso no dia 1 de Maio, seis dias depois da revolta."Tento sempre
bater-me por aquilo que considero justo, enquanto acho que tenho razão
esforço-me", confessou, determinado, enquanto enrolava um cigarro e
acrescentava que a vida não vale a pena se não existirem ideais.

O homem que dedica a vida à história e à verdade dos factos, protagoniza
desde há muito uma luta que alguns consideram inútil e mesmo caricata, a
chamada de atenção para o problema de Olivença, a localidade fronteiriça,
sob controlo e domínio espanhol, que entende pertencer por direito a terras
lusitanas.

(nota de Carlos Luna, à margem do texto original: "esforcei-me por provar
que era O ESTADO PORTUGUÊS que entendia ser Olivença parte do território
português, e que a posse das águas do Alqueva estava ligada a esta questão,
e mostrei documentos. Pelos vistos, a entrevistadora, Susana Pereira, não
entendeu...". Retoma-se o texto original:)

O professor de História não considera Olivença a sua maior batalha mas
apenas aquela que, por ser menos vulgar, chama mais a atenção e não teve
dúvidas em afirmar - em jeito e tom devidamente politizados - que a maior
causa que defende é Estremoz.

Acrescentando ainda defender apenas aquilo que é politicamente correcto e
não o que aparenta ser politicamente correcto, Carlos Luna sempre se
apresenta como um defensor da causa nacional.

Por entre mais um cigarro enrolado a preceito e um gole de água, o professor
lá foi contando - entusiasmado como se de uma aula se tratasse - que desde
miúdo ouvia falar no caso de Olivença sempre relatado com certo
recato."Sempre que falamos de Olivença acusam-nos de sermos parvos e
igualam-nos a D. Quixote, só que se esquecem que esse personagem tinha uma
grande virtude, lutava por ideais e eu prefiro ser D. Quixote do que
deixar-me comprar", assegurou Carlos Luna.

Parte activa de duas associações de defesa da localidade em causa - o "Grupo
de Olivença" (nota de Carlos Luna à margem do texto:"eu falei do Grupo dos
Amigos de Olivença, e claramente. Não sei porquê esta deturpação".
Regressa-se ao texto original:)e o "Comité Olivença Portuguesa", do qual é
presidente - , o professor afirmou defender, sobretudo, o direito dos
oliventinos à informação. "Por volta de 1986 lembrei-me de ir à terra de que
muito se falava, gostei do que vi mas detestei a profunda desinformação que
reina em Olivença entre a população que não tem culpa nenhuma", declarou
Carlos Luna.

De acordo com o professor, as autoridades espanholas mascararam e esconderam
a verdadeira realidade histórica ao povo de Olivença, fazendo-os acreditar
"em mitos absurdos, ofensivos e chauvinistas em relação a Portugal e à sua
História", garantiu Carlos Luna.

"Acho inacreditável que uma Espanha democrática continue a ensinar a um povo
um passado que não é o seu", acrescentou, salientando ainda que parte da
culpa de não haver uma definição no caso de Olivença também reside no povo
português.

"Sou essencialmente um lutador pela positiva e há alguns argumentos que eu
detesto, os portugueses têm um desprezo tal por si próprios que é quase
impossível de explicar", argumentou o professor fazendo referência ao
constante pessimismo existente na sociedade nacional.

De acordo com Carlos Luna, a luta pelo caso de Olivença tem muitas
semelhanças com a contenda sobre Gibraltar que, segundo o professor, "os
espanhóis insistem ser uma questão de justiça e tratam-na de maneira muito
diferente do que acontece com a localidade próxima de Portugal.

Enquanto os espanhóis aproveitam todas as oportunidades para resolver, ou
pelo menos debater, a questão de Gibraltar, "o Estado Português não fala em
Olivença, é quase uma posição clandestina", assegurou Carlos Luna. Mas
porque lutar por uma causa que considerou sempre justa é uma questão de
princípio, o professor, inserido no "Comité Olivença Portuguesa", leva a
cabo diversas acções de informação junto dos oliventinos.

Aos que ainda acedem a algum contacto com o português - que por aquelas
paragens já é conhecido pelas lutas que trava e, portanto, não é lá muito
bem visto por alguns membros da comunidade - entrega conjuntos de livros,
dicionários, manuais de gramática, cassetes com expressões alentejanas e
outros materiais que os possam despertar para a verdadeira história que os
rodeia.

O objectivo não é fazer com que os oliventinos venham a querer ser
portugueses mas fazê-los conhecer a história e o passado real que, segundo
Carlos Luna, sempre lhes foi incompreensivelmente negado.

Por assumirem uma posição vertical e activa em relação a Olivença, os grupos
a que pertence "já foram acusados de coisas incríveis", atestou o professor
revelando que, se não concordarem com tudo o que a administração de Olivença
faz, têm a vida dificultada.

Mas habituado que está a lutas renhidas, Carlos Luna não deu por um segundo
mostras de desalento ou qualquer esmorecimento em relação à causa que tanto
defende, salientou que "cada vez que um oliventino nos reconhece valor,
sentimo-nos reconfortados".

Com raízes familiares que também passam por Olivença, o estremocense
assegurou que não vai desistir de ser esse "D.Quixote" levado por ideais
porque, na realidade, são eles que dão verdadeiro sentido à vida.



SUSANA PEREIRA



(nota final de Carlos Luna, à margem do texto:"disse muitas mais coisas.
Foram duas horas de entrevista. Alguns resumos e/ou interpretações do que
penso ou digo não foram totalmente felizes. Enfim, fica o testemunho".)



Revista "MAIS ALENTEJO"(chega a todo o Alentejo),

entrevista a Carlos Luna sobre OLIVENÇA, Outubro-2005 

(uma página inteira com uma fotografia da cara de Carlos Luna)

Secção "Cromos", pág.26




 


 

Olivença é Portuguesa editou às 20:27

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7 comentários:
De Anónimo a 16 de Novembro de 2005 às 16:45
Caro Miguel Gaspar Roque

Parabens pela página. Por acaso tem email ou contacto?

Cumprimentos
Manuel Peresmanuel Peres
(http://GAO)
(mailto:mapeal2@yahoo.com.br)
De Anónimo a 8 de Novembro de 2005 às 05:23
Se tivesse algo de bom para fazer não tinham tempo de enviar lixo para a net.manel olivenca
</a>
(mailto:)
De Anónimo a 26 de Outubro de 2005 às 11:03
Não há nada de mais nobre que o empenhamento na defesa de causas justas.lumife
(http://bxalentejo.blogspot.com)
(mailto:lumife@sapo.pt)
De Anónimo a 26 de Outubro de 2005 às 01:02
e os portugueses que se dizem grandes descobridores e invadiram um sem numero de países que tinham culturas proprias e etc... rita
</a>
(mailto:rita_simoes@iol.pt)
De Anónimo a 25 de Outubro de 2005 às 20:48
olá boa noite
venho pedir um favor
poderia me dizer se há alguma forma de fazer uploads de musicas para depois colocar no blog?
como não consigo as musicas que quero isso era optimo
desde já obrigado pela atenção
cumprimentos FernandoFanã
(http://g18.blogs.sapo.pt)
(mailto:buell.fernandonuno@sapo.pt)
De Ana Costa a 3 de Novembro de 2010 às 22:45
Voces deviam admirar este excelente professor em vez de critica-lo por fazer coisas que mais ninguem faz . É o unico que defende Portugal com "unhas e dentes" , deviam ter vergonha em fazer esses comentarios estupidos . Mas ainda bem que em Portugal ainda ha pessoas que defendem o territorio Portugues e lutam contra tudo aquilo que ninguem quer saber . Por favor respeitem as pessoas,respeitem Portugal . Voces gostavam era de ter a cultura geral que o Prof.Carlos Luna tem , mas ponho-me a pensar .. Será inveja ? É o que parece . Boa Noite .
De editou a 4 de Novembro de 2010 às 20:15
Ana Costa, se for mais atenta reparará que a quase totalidade dos artigos deste blogue são da autoria do Professor Carlos Luna.
Obrigado por defender tão ilustre personalidade.
Mas por favor seja um pouquinho mais atenta aquilo que lê.

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